Crato, Portalegre e Castelo de Vide

8, 9 e 10 de Março 2019


Castelo de Vide

História

Perde-se nas brumas do tempo e das lendas a razão pela qual foi criada uma praça-forte neste local. Esta dúvida que só a arqueologia poderá esclarecer com segurança, estaria possivelmente relacionada com a morfologia dos solos que juntamente com factores de estratégia de ordem territorial, uma vez que era necessário consolidar as recém conquistadas terras, levaram a que se fixasse um espaço defensivo e criar condições para possivelmente existentes e novas populações.

Sabe-se por Rui de Pina que em 1299 Castelo de Vide era ainda “lugar etã maís chão q forte” ainda que desde essa data seja apelidado de “Castel da Vide” e que Afonso Sanches, filho de D. Afonso III, iniciou obras de reconstrução das muralhas que foram continuadas pelo seu irmão, D. Dinis , ficando finalmente concluídas no reinado de D. Afonso IV.

Estes melhoramentos dotavam esta praça de melhores condições defensivas alargando a cintura de muralhas, abrangendo o poço inicialmente de fora protegendo a sua entrada que era feita pelo interior do burgo. Uma linha de novas muralhas englobou a cidadela e o aglomerado populacional que já se havia estabelecido fora dela. Foi construída uma importante torre de menagem, periférica e saliente relativamente aos muros, para melhor defender o lado Sul, de mais fácil acesso e ataque. Todos estes reforços no sistema defensivo são indicativos da crescente importância que Castelo de Vide representava em termos estratégicos, tendo o s seus muros experimentado as máquinas de guerra e os assédios durante os conflitos com Castela, em que o nosso país foi fértil durante a Idade Média, como na manutenção municipalidade, adquirida em 1276 quando Castelo de Vide se libertou do termo de Marvão para formar o seu próprio concelho.

Lentamente ocorre a expansão urbana fora das muralhas do castelo, ainda durante o século XIV. As condições da encosta Sul, com boa exposição solar e um declive mais suave, em detrimento das vertentes Norte e Oeste, mais escarpadas e ventosas, determinaram a expansão deste arrabalde. A fundação de várias igrejas e ermidas extramuros estabeleceram com o castelo eixos preferenciais de estruturação da paisagem. Assim aconteceu com o eixo de comunicação que desde a entrada do castelo procurou encosta abaixo a ermida de Santa Maria, fundada em 1311 no local da actual Matriz. Este eixo foi certamente uma das mais antigas vias de expansão, estabelecendo ainda a separação entre as duas vertentes da encosta e também entre o outro arrabalde onde a nascente, a fonte de água, já utilizada pelos habitantes do burgo em tempo de paz, determinou a expansão urbana para esta vertente, compensando assim, os declives mais acentuados e a exposição solar menos privilegiada. Não se sabe ao certo se um dos arrabaldes terá surgido primeiro que o outro, mas o mais provável será terem-se desenvolvido na mesma época vindo este a ser paulatinamente utilizado pelos judeus que de Castela e Aragão procuravam refúgio após a sua expulsão do reino vizinho. Muitos se terão estabelecido em Castelo de Vide por estar próxima da fronteira e da portagem de Marvão, fazendo aumentar a comunidade judaica aqui existente e certamente contribuindo para o desenvolvimento que iria caracterizar a Vila.
É possível ter uma ideia, ainda que um pouco falível, do desenvolvimento urbano que a vila apresentava até ao século XVI pelos desenhos de Duarte d’ Armas, as mais antigas representações que se conhecem da vila, onde se pode verificar que no primeiro quartel do século XVI, ambas as vertentes da encosta se encontravam construídas.

A população dedicava-se à agricultura, cultivando a vinha, o linho, a oliveira, frutas e cereais e também à criação de gado. Também a indústria da moagem aqui se desenvolveu, com várias azenhas a funcionar ao longo das ribeiras de Vide e de Nisa, assim como a indústria da fiação de lã, tendo como suporte os gados que eram criados no termo da Vila. A partir dos finais do século XV, princípios do XVI, a fiação da lã adquiriu uma tal importância, que já anteriormente a D. João III (1521-1557), era um dos principais mesteres de Castelo de Vide e os seus habitantes passaram a ser apelidados de “Cardadores,” Os 885 vizinhos que possuía em 1527 subiram para 1400 em 1572, e para 1600 em 1603. Na base deste surto populacional esteve o incremento da produção agrícola, da tecelagem e do comércio com Espanha.

LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO

O Concelho de Castelo de Vide fica situado no nordeste alentejano e abrange uma área de 255km2 que se encontra repartida por 4 freguesias ( S. João Baptista, Santa Maria da Devesa, Santiago Maior, localizadas na sede do Concelho e Nª Srª da Graça de Póvoa e Meadas, freguesia rural de Castelo de Vide). Estando delimitado pelos concelhos de Marvão a sudeste, Portalegre a sul, Crato a sudoeste, Nisa a norte e Espanha a nordeste, tendo o Rio Sever como linha de fronteira para chegar a Castelo de Vide, vindos do Norte ou de Sul a A23 e a IP2 vieram melhorar substancialmente os acessos.

A população residente é de 4144 habitantes, que corresponde a uma densidade populacional de 15,64%.

A economia local assenta na produção agrícola. e no turismo.

UM MUNDO DE HISTÓRIA E UM PARAISO A VISITAR

“CASTELO DE VIDE: vilazinha medieval, cidadezinha moderna”, como um historiador local a definiu, reúne um conjunto de valências que a tornam singular e admirável.

Da história, herdou vastos e ricos patrimónios. Se, por um lado, a arquitectura civil soube ir sedimentando, casa sobre casa, século após século, um casario harmonioso e singular, por outro, a arquitectura militar, colocando pedra sobre pedra, defendeu os moradores e as sucessivas guarnições acasteladas através de sólidas e imponentes muralhas, baluartes e torres – hoje miradouros de paisagens que desafiam os próprios limites da visão humana.
Desde as ruelas sinuosas e calçadas floridas do Burgo e Judiaria Medievais até às Praças modernas e sóbrias, destacam-se elementos artísticos e símbolos que perpetuam e monumentalizam a memória de culturas, de personalidades e de vivências, trazendo a cada momento do presente os mistérios e o fascínio do passado.

Este conjunto patrimonial, integralmente classificado como monumento nacional, resulta hoje num Centro Histórico Notável, circunscrito por cerca de 2,5 km de muralhas, proporcionando roteiros e ambientes maravilhosos e recebendo anualmente milhares de visitantes que a ele ocorrem vindos de todo o mundo.
Mas aqui a natureza também foi pródiga. Nestes campos vivem espécies vegetais e animais de origem mediterrânica, atlântica e continental, que coexistem numa paisagem de qualidade e intensa de contrastes. Esta riqueza ambiental permitiu classificar o lugar em área protegida, parte integrante do Parque Natural da Serra de São Mamede, onde os percursos convidam ao encontro e à descoberta da natureza.

A magia e a beleza deste Lugar completam-se com a forte herança cultural, enraizada por sucessivas gerações de homens e mulheres, anónimos ou ilustres, que a comunidade local ainda orgulhosamente preserva. No ciclo das festividades anuais assumem um valor inigualável alguns momentos, que consubstanciam séculos de tradições, de usos e costumes: manifestações duma personalidade colectiva de pessoas afáveis e hospitaleiras habituadas a receberem forasteiros e a despedirem-se como amigas.

Aqui, onde o tempo é vida, ninguém é indiferente às matizes da paisagem envolvente, à textura da pedra, aos sabores e aromas que transportam os segredos que a história confeccionou. Aqui, onde o tempo é tempo, vale a pena conhecer e desfrutar, demoradamente, caindo na doce nostalgia e quietude que a vila oferece e guardar o Lugar na memória.

Castelo de Vide, terra fundada na medievalidade, vive hoje preservando os seus marcos identitários ao mesmo tempo que assume um desenvolvimento integrado e sustentado dos seus recursos endógenos, ambicionando manter padrões de modernidade e planificando um futuro próspero para as gerações vindouras.

Ao Mundo Global que hoje trilha por estes caminhos virtuais, fica, pois, aqui este convite à realidade, apresentado por palavras e imagens infinitamente incompletas face ao deslumbramento desta “vilazinha medieval, cidadezinha moderna”.