O que é a orientação
A Orientação é um desporto que combina atividade física com raciocínio rápido. O objetivo é percorrer um percurso definido no mapa, passando por pontos de controlo assinalados no terreno, no menor tempo possível. Cada praticante escolhe o seu próprio itinerário, exigindo leitura de mapa, uso de bússola, tomada de decisões rápidas e capacidade de se movimentar em terrenos variados.
Pode ser praticada por pessoas de todas as idades, ao ritmo de cada um, conciliando competição, lazer e contacto direto com a Natureza. As provas realizam-se em floresta, parques, áreas urbanas e até de noite!
Existem várias disciplinas: Pedestre, BTT, Ski e Precisão (adaptada a mobilidade reduzida). A Orientação tem crescido muito em Portugal, com provas regulares abertas a todos.
O Mapa
O mapa de orientação caracteriza-se, em relação a outros mapas pela riqueza e expressividade dos pormenores, nele representados, como:
- Escala adaptada às características do terreno;
- Representação dos diferentes graus de traficabilidade da vegetação;
- Existência de um grande número de detalhes sem saturação demasiada;
- Utilização de simbologia adequada.
Existem normas internacionais (International Specification for Orienteering Maps) para elaboração de mapas. A FPO como membro de pleno direito da IOF (International Orienteering Federation) fiscaliza a sua aplicação prática através do reconhecimento e registo dos mapas destinados á pratica de orientação.

O que é a orientação
Um percurso de Orientação é definido por uma partida, pelos pontos de controlo e pela chegada. Entre os pontos de controlo, dos quais é dada a localização exacta no terreno, através do mapa, o trajecto é da livre escolha dos atletas.
Partida

O local onde o atleta levanta o mapa e onde é iniciada a cronometragem do tempo de prova normalmente denomina-se por pré-partida. O trajecto da zona de pré-partida até ao local a partir de qual os atletas se começam a orientar, deve estar balizado e materializado no terreno com uma baliza sem código nem picotador e assinalado no mapa com um triângulo. O local da partida deve permitir que os participantes que estão á espera para partir, não possam ver as opções tomadas pelos que já partiram e confrontar os participantes com problemas de Orientação logo desde o início.
Pontos de Controlo
A partir do triângulo o percurso está marcado no mapa por circulos numerados que significam os pontos de controlo que devem ser visitados pela respectiva ordem. Pontos de controlo de diferentes percursos colocados muito próximos uns dos outros, podem enganar atletas que navegam correctamente até à área do ponto. Os pontos de controlo só devem ser colocados a menos de 100m uns dos outros, quando os elementos onde se encontram são distintamente diferentes no terreno e no mapa. A correspondência entre o elemento no terreno e o ponto marcado no mapa não deve suscitar qualquer dúvida. Os pontos de controlo que não possam ser definidos pelos símbolos da IOF, não são normalmente adequados e devem ser evitados.
Chegada
Do último ponto para a chegada o percurso poderá estar balizado (verificar no cartão da sinalética).
A sinalética
- Conjunto de símbolos que determinam a localização e a descrição dos postos de controlo. A sua finalidade é de pormenorizar a ilustração que dá o mapa em relação ao local do posto de controlo;
- Os códigos dos postos de controlo devem assegurar a um concorrente que ele vai picotar a um controlo pretendido;
- A sinalética tem uma linguagem comum em todos os países e está associada à simbologia do mapa, de forma a facilitar a compreensão e a leitura de ambos.

A bússola
Uma bússola é um aparelho com uma agulha magnética que é atraída para o polo magnético terrestre. Os atletas utilizam-na para orientar o mapa para norte fazendo coincidir a agulha da bússola com as linhas de norte presentes no mapa.
Os mapas são produzidos orientados para o norte magnético e não para o norte geográfico. Como tal, os atletas em prova não têm de fazer qualquer correção para compensar a diferença existente entre os dois.
Existem bússolas próprias de competição que se transportam presas ao dedo e diretamente em cima do mapa. No entanto, mesmo em competição, pode ser utilizada qualquer tipo de bússola.
No hemisfério sul as bússolas têm de ser diferentes das utilizadas no hemisfério norte, devido à diferente influência do campo magnético terrestre entre os dois hemisférios.

Como usar a bússola com o mapa:
- Antes de iniciar o deslocamento, coloque a bússola em cima do mapa, de forma que um dos seus lados fique a unir o ponto onde estamos (final de caminho) e o ponto para onde queremos ir.Com a seta de direcção da bússola voltada para o ponto onde queremos ir.
- Rode o mostrador da bússola de modo a que as linhas que estão no seu interior, fiquem paralelas com os meridianos do mapa (o norte do mostrador tem que ficar virado para o norte do mapa).
- Segure a bússola horizontalmente á sua frente e rode o seu corpo de modo a que a parte vermelha da agulha magnética fique coincidente com a seta que está desenhada no mostrador. Neste momento, a bússula está a apontar na direcção do seu destino (lago). Olhe em frente, fixe um elemento de referência que fique na linha do azimute e caminhe até lá. Repita este procedimento até chegar ao seu destino.
O Chip
Existem diferentes sistemas de registo de passagem nos pontos de controlo e de controlo do tempo de prova, desde um simples cartão perfurado até diferentes dispositivos de controlo eletrónico. Mas em Portugal, o sistema utlizado em provas oficiais é o SPORTident, que consite em:
- Chip (SI-Card) que é transportado pelo atleta (normalmente preso ao dedo) para registar a passagem nos pontos de controlo;
- Estações eletrónicas nos pontos de controlo onde o atleta deve utilizar o seu SI-Card (enfiando num orifício nos modelos mais antigos ou apenas aproximando nos modelos mais recentes)
- Estação eletrónica para o atleta “descarregar” o seu SI-Card após terminar a prova, ligada a um sistema informático que verifica a correção dos pontos de controlo e o tempo de prova para gerar automaticamente uma classificação.

Formas de praticar Orientação
É possível praticar Orientação de diversas formas, desde Orientação de Precisão a Orientação em Esqui, mas as disciplinas principais são a Orientação Pedestre e a Orientação em BTT.
Orientação Pedestre
Forma original da prática da Orientação, em que o meio de locomoção é a corrida (ou andar), existindo 3 tipos de competições, relacionadas com o tipo de percurso a realizar:
Distância Média:
- Percurso técnico com muita variedade de navegação;
- Requer grande concentração;
- Escala: 1:10.000 (ou 1:7.500);
- Duração: 30-35 min.
Distância Longa:
- Ênfase na escolha de rotas longas em terreno exigente;
- Pontos de controlo mais simples, mas longas pernadas;
- Escala: 1:15.000 (ou 1:10.000 em casos específicos);
- Duração: 60-70 min.
Sprint:
- Percursos curtos e rápidos, com navegação intensa;
- Percurso urbano;
- Escala: 1:5.000 ou 1:4.000;
- Duração: 10-20 min.
Estafetas:
- Percursos pensados para espetadores e competição direta;
- Equipas organizadas por género ou mistas;
- Uso de variações para evitar “colas”;
- Final semelhante para aumentar o suspense;
- Escala: 1:10.000 ou 1:15.000;
- Duração: 30-50 min.
Orientação em BTT
Forma de prática de orientação com grande número de adeptos, principalmente em França e Espanha. podem realizar-se actividades com os mapas normais de orientação, no entanto já existem normas especificas quanto á elaboração dos mapas, onde os caminhos são classificados (tipo ski orienteering) e a escala do mapa é 1/20000.
Regras de conduta
- Durante a execução de um percurso de Orientação em BTT, o praticante apenas poderá fazer uso da bússola como instrumento auxiliar de navegação.
- A circulação em bicicleta só é permitida nas estradas, caminhos e carreiros assinalados no mapa. Nestes locais, é igualmente permitida a deslocação a pé, desde que o praticante transporte consigo a bicicleta.
- Os praticantes só podem deslocar-se fora das estradas, caminhos e carreiros desde que transportem a bicicleta com as rodas no ar.
- É obrigatório ceder passagem, a pedido de um outro praticante, nos casos em que os caminhos ou carreiros não permitam a ultrapassagem em condições normais.
- É obrigatório o uso de capacete devidamente colocado durante todo o percurso. O capacete terá que estar homologado nos termos ANSI, SNELL, CE95 ou GUV.
- O praticante pode transportar consigo todo o material de reparação que julgue necessário não sendo permitido receber assistência de outrem.
- O cartão de controlo do praticante terá que permanecer preso à bicicleta durante todo o percurso.
- Sem prejuízo do previsto noutros regulamentos da modalidade, o não cumprimento de qualquer uma das regras anteriores, implicará a desclassificação no percurso.
